terça-feira, 8 de março de 2022

Robert Young: O tímido e esquecido galã da antiga MGM e astro da série Papai Sabe Tudo



Ele fez por volta de 90 filmes num espaço de pouco mais de 20 anos, e mais de 100 no total.  De natureza suave, reservado, elegante e extremamente profissional, Bob dividiu a cena com muitas das atrizes mais famosas da tela prateada, como Joan Crawford, Katharine Hepburn, Barbara Stanwyck, Norma Shearer, Hedy Lamarr, Margaret Sullavan, Lana Turner, Janet Gaynor, Alice Faye, Betty Grable, Luise Rainer e Claudette Colbert (e ainda outras!). Você pode não reconhecê-lo de nome, mas se é fã dessas atrizes, de cinema americano dos anos 30 e 40 ou televisão antiga, é bem provável que já assistiu a algum filme ou série dele e nem se lembra. Então, em sua memória, eu começo esse pequeno texto...

Minha foto favorita do Bob, tirada pelo fotógrafo célebre George Hurrell


Mesmo versátil, de talento inquestionável e com uma carreira tão prolífica em números, ele não foi tão feliz nas escalações dos papéis no cinema. A indústria o via como um ator talentoso mas sem "star material", que servia como uma aposta segura para dividir a cena com as estrelas classe A - elas mesmas sabiam que ele jamais roubaria a cena delas, logo era um co-star conveniente. Ele, para não perder o contrato e continuar ganhando o seu salário, foi obrigado a aceitar fazer uma sucessão de filmes medíocres que eram feitos em sequência em poucas semanas - os chamados filmes B dos grandes estúdios ou "programmers", que eram os filmes flopados de menor orçamento que preenchiam uma sessão dupla (double feature) na época do cinema clássico: você podia ir no cinema ver dois filmes em sequência, primeiro uma série de curtas, desenhos animados, notícias da época, então o filme B e só depois o filme A, que era a grande atração dos estúdios, de maior orçamento, popularidade e publicidade. 



Nesse ritmo intenso de filmagens (às vezes filmando três filmes ao mesmo tempo), Robert Young fazia quase cinco ou seis filmes por ano. Além da exaustão pelo trabalho duro, o fato de ser relegado a filmes medíocres e papéis estereotipados deixaram nele um forte ressentimento em relação a Hollywood. Seus demônios pessoais nunca o deixaram de certa forma, e sua frequente válvula de escape para conseguir enfrentar a rotina diária era através do álcool, de preferência uns bons martinis.

Como geralmente interpretava o bom moço confiável e complementar, Bob não costumava ficar com a mocinha nos finais dos filmes. Aqui em foto de I Met Him in Paris (dir. Wesley Ruggles, 1937), com Claudette Colbert e Melvyn Douglas


Felizmente, foi através da televisão que Robert teve o reconhecimento merecido pelo seu trabalho. Ao interpretar o "pai ideal" na série Father Knows Best (Papai Sabe Tudo no Brasil), ele deixou sua marca para sempre na telinha. Aproveitando o sucesso que nunca desfrutou no cinema, ele não fez mais filmes e focou em TV até se aposentar no final da década de 80. Nessa trajetória, Bob ganhou três Emmys e três estrelas na Calçada da Fama (pelo seu trabalho no cinema, no rádio e na TV). 


Entretanto, nos bastidores de sua vida privada Bob batalhou por décadas contra a depressão e o alcoolismo. Com baixo autoestima e complexo de inferioridade, ele sempre teve dificuldade de conciliar a sua introversão com o trabalho de artista, lidar com os reveses de um sistema injusto e opressivo da antiga Hollywood, e talvez o pior: interpretar personagens otimistas e ideais quando ele mesmo não era assim, o que lhe trouxe um forte sentimento de culpa e frustração.


"Por todos aqueles anos na MGM eu escondi um terror constante atrás de uma cara feliz" 

O tímido ator era pisciano - Robert George Young nasceu em Chicago, estado de Illinois (EUA), em 22 de fevereiro de 1907. Seu pai Thomas E. Young era imigrante irlandês, enquanto sua mãe Margaret Fyfe de origem inglesa. Ele foi o quarto de cinco filhos do casal. Um de seus irmãos mais velhos, Joseph Young, também seguiu a carreira de ator sob o nome de Roger Moore (sem nenhuma relação com o britânico intérprete de James Bond). 

Mas Bob viveu pouco tempo em Chicago. Sua família mudou de endereço constantemente durante sua infância e juventude. Os Youngs se mudaram para Seattle, Washington, quando Bob ainda era bebê com menos de um ano. Já com 10 anos, Robert seguiu com a família para a Califórnia, na região de Pasadena. Seu pai Thomas, um construtor, abandonou a família por volta dessa época, e para ajudar nas finanças da casa o garoto começou a trabalhar desde cedo: aos oito anos virou entregador de jornal. Sobre si mesmo, Bob sempre tinha um humor (auto)depreciativo, e relembrando sua infância, ele disse que era "um garoto bobo e sem graça".

Uma rara foto de Bob quando criança (não sabemos quem é a menina ao lado, possivelmente uma irmã ou parente)

O endereço da família Young em Pasadena atualmente, no número 26 da S Michigan Ave

Antiga ilustração da Abraham Lincoln High School, onde Young se formou na década de 20


Young fez o ensino médio na Abraham Lincoln High School de Los Angeles. Lá ele também conheceu Betty Henderson, com quem se casou mais tarde, em 6 de março de 1933. Eles tiveram quatro filhas: Carol Proffitt, Barbara Beebe, Kathy Young, and Betty Lou Gleason.

Robert no anuário de 1926 de sua escola. Entre os seus feitos notáveis: papel principal em A Megera Domada e na ópera Briar Rose


Com sua sweetheart de uma vida inteira, anos 1930


Com sua família reunida em foto publicitária (mais Ted Donaldson atrás, colega ator no programa de rádio nos anos 50)

Foi sua namorada e depois esposa Betty que incentivou o jovem introvertido a fazer teatro. Ele diria que "era um introvertido num ramo de extrovertidos", mas mesmo deslocado e inseguro Robert seguiu o caminho das artes dramáticas e talvez tenha encontrado alento em viver outras vidas que não a sua. Enquanto estudava e performava na Pasadena Playhouse, Bob transitou entre diferentes empregos, como atendente de banco, repórter e extra/figurante em filmes mudos, como as comédias pastelão curtas Keystone Cops de Mack Sennett. É possível vê-lo brevemente como figurante no filme mudo The Godless Girl (1929), de Cecil B. DeMille. 

Pasadena Playhouse, local histórico das artes cênicas de Los Angeles. Lá Bob fez parte de diversas montagens no início de sua carreira

Sua carreira no entanto só decolou mesmo já na era dos filmes falados (talkies). Em 1931, durante uma turnê de teatro com a peça The Ship, Bob foi visto por um caça talentos da MGM e pouco depois assinou um contrato de 150 dólares por semana para trabalhar em filmes. Sua estreia no cinema naquele mesmo ano de 31 foi tímida e numa produção modesta da Fox: um filme do detetive Charlie Chan intitulado The Black Camel

No seu primeiro papel oficial no cinema, em The Black Camel. O jovem bonito e galante atraiu o radar da MGM e conseguiu um contrato de cinco anos com o estúdio (com possibilidade de renovação - que depois aconteceu, pro bem e pro mal)

Ele tinha charme e elegância, mas o estúdio o colocaria sempre em papéis menores, filmes medíocres, fazendo típicos galãs secundários com uma tirada engraçadinha e um estilo suave e equilibrado que servia para qualquer tipo de filme


Já na Metro ainda em 1931, ele fez um papel pequeno em Hell Divers, estrelado por Clark Gable (que já estava em vias de se tornar um astro de sucesso), e fez o filho de Helen Hayes no filme O Pecado de Madelon Claudet (dir. Edgar Selwyn). Neste último seu papel também seria pequeno, mas segundo Young, o produtor-chefe da MGM Irving Thalberg editou tanto o filme que acabou dando mais destaque para o ator iniciante. Helen Hayes venceu o Oscar de Melhor Atriz de 1932 pela sua performance de mãe miserável que se sacrifica pelo filho.

"Eu realmente devo minha primeira grande oportunidade à técnica de Irving Thalberg de refazer filmes ao seu bel-prazer. Fui contratado para um pequeno papel como filho de Helen Hayes em O Pecado de Madelon Claudet (1931) e, depois de terminadas as filmagens, Thalberg foi acrescentando e refilmando cenas para que, por acaso, meu pequeno papel se tornasse significativo."

No mesmo ano, sob empréstimo para a Columbia, ele também viveu um dos papéis principais do filme A Culpa dos Pais (The Guilty Generation, dir. Rowland V Lee). Ainda que mal escalado como filho de mafioso italiano, ele consegue brilhar com Boris Karloff, Leo Carrillo e Constance Cummings. A Columbia, porém, era ainda vista como um estúdio B nessa época. Uma estrela ir emprestada para a Columbia era quase sempre visto como um "castigo"... E Robert Young seria emprestado não só para a Columbia mas para outros estúdios inúmeros vezes durante sua estada na Metro.

Com Constance Cummings em The Guilty Generation, 1931. Um de seus empréstimos para a Columbia Pictures


O destaque no filme de Helen Hayes foi de fato significativo, pois de 1932 em diante seus papéis foram maiores e ele dividiu a cena com quase todas as estrelas do alto escalão da Metro Goldwyn Mayer, na época dourada "com mais estrelas do que no céu".  


Com Myrna Loy em New Morals for Old, 1932


Meu autógrafo do Bob comprado no eBay - uma foto original do filme Unashamed (1932). Da esquerda pra direita: Lewis Stone, Young, Louise Beavers e Helen Twelvetrees


Com Norma Shearer (envelhecida para o filme) em Strange Interlude (dir. Robert Z. Leonard 1932), baseado em peça premiada de Eugene O'Neill. Contudo o filme não foi bem sucedido

Seu primeiro trabalho com Joan Crawford foi em Vivamos Hoje (Today We Live, dir. Howard Hawks, 1933). Os dois voltaram a contracenar em The Bride Wore Red (1937), The Shining Hour (1938) e Goodbye My Fancy (1951)

Felicidade de Mentira (The Bride Wore Red, dir. Dorothy Arnzer, 1937), com Crawford e Franchot Tone



Em Tugboat Annie em 1934. Trabalhar com a diva Marie Dressler (estrela oscarizada e protagonista com mais de sessenta anos!) era uma grande honra, mas ele descreveu o embuste Wallace Beery como "uma merda de pessoa"


Com Katharine Hepburn em A Mística (Spitfire, 1934, dir. John Cromwell). O filme, tristemente, é um dos piores de Hepburn. A própria tinha vergonha desse seu trabalho



Com Janet Gaynor em Carolina (emprestado para a Fox). Direção de Henry King, 1934.


Na Fox ele ainda trabalhou com Alice Faye e Shirley Temple em 1936 no filme A Pequena Clandestina (Stowaway, dir. William A. Seiter), na foto com as duas e o ator Allan Lane


Com Barbara Stanwyck Bob trabalhou em Red Salute (foto, dir. Sidney Lanfield, 1935) e The Bride Walks Out (dir. Leigh Jason, 1936)


Com Fred MacMurray e Claudette Colbert em The Bride Comes Home (dir. Wesley Ruggles, 1935). Um típico veículo de comédia antiga light mas com elenco estelar


Spoiler: ele é o assassino no filme Agente Secreto de Hitchcock - Bob fez o filme durante uma breve passagem pela Inglaterra em 1936

Três Camaradas (Three Comrades, dir. Frank Borzage, 1938) foi um de seus trabalhos mais marcantes da década. Com um excelente elenco (Margaret Sullavan, Franchot Tone e Robert Taylor) e um roteiro de Scott Fitzgerald baseado em livro de Erich Maria Remarque, não tinha como dar errado! Super recomendado.

Três soldados na Alemanha após Primeira Guerra se unem por uma grande amizade e também pelo afeto que sentem por uma jovem encantadora e frágil vivida por Margaret Sullavan (com os três abaixo em publicidade)




Sporting Blood (dir. S. Sylvan Simon, 1939), com Maureen O'Sullivan, amiga pessoal dele e co-star em cinco filmes


Por mais talentoso e charmoso que fosse, Robert foi relegado ao status de estrela B no "baixo clero" da MGM dos anos 30 e 40, junto com outras estrelas subestimadas da época, típicos "coadjuvantes de luxo" como Mary Astor, Spring Byington, Marsha Hunt, Ann Rutherford, Ann Sothern, Frank Morgan, Reginald Owen, Franchot Tone, Lew Ayres, Lee Bowman, Ruth Hussey, Marjorie Main, Margaret Hamilton, entre muitos outros. Louis B. Mayer, fundador e produtor-chefe da MGM, alegadamente disse que Young não tinha nenhum sex appeal, logo não acreditava no potencial do ator para grandes papéis de galã, que costumavam ir para as estrelas "classe A" do estúdio como Clark Gable, Spencer Tracy, William Powell, Robert Taylor e Robert Montgomery. E se ele recebia um papel principal numa grande produção do momento, ele sabia que era pelo fato de Robert Montgomery ou outro ator do "alto clero" da MGM ter recusado. 

Saturday's Millions (1933), um típico filme B esquecido entre dezenas da sua filmografia

Com Joan Crawford e amigos nos bastidores da MGM


Fabuloso dando autógrafos, circa anos 30


Na vida pessoal, Robert era uma pessoa caseira que gostava de ficar em casa com a sua família. Tinha amigos famosos como Joan Crawford, Maureen O'Sullivan, Shirley Temple, Jane Wyatt e Laraine Day. O casal Lucille Ball e Desi Arnaz, da sitcom icônica I Love Lucy, iam jogar pôquer em sua casa uma vez por semana. Bob também gostava muito de jogar gamão e golfe. Segundo pessoas próximas, ele e a esposa não eram muito da cena de Hollywood, no máximo indo sair para jantar de vez em quando. Pai coruja, ele fazia questão de toda sexta à noite estar em casa para jantar e ver um filme com sua esposa e filhas (por conta do ritmo intenso de filmagens da época, os atores chegavam exaustos em casa, ou podiam ficar noite adentro filmando também).


Nos típicos filmes de baixo orçamento que fazia, Robert interpretava um esportista, um militar, um galã suave de comédias românticas curtas, um playboy ou jovem humilde desmiolado e/ou idealista. Ruth Hussey, Madge Evans e Florence Rice foram suas co-stars mais frequentes nesses programmers dos anos 30 que sempre tinham pouco mais de 1 hora de duração. E assim ele encerrou a década de 1930 com dezenas de filmes gravados mas nem meia dúzia de clássicos realmente marcantes.


Os anos 40 por sua vez foram bem mais gratificantes para Bob no cinema. Ele pôde enfim estrelar mais filmes e atuar em papéis mais profundos e fora da curva. Vou listar alguns deles:

Produção de aventura caprichada da MGM: Northwest Passage, de 1940

Como um nazista mau caráter no drama poderoso Tempestades D'Alma (The Mortal Storm, dir. Frank Borzage, 1940), no qual dividiu a cena com Margaret Sullavan e James Stewart. Clássico obrigatório da época da Segunda Guerra Mundial!

Western Union (1941) não foi um faroeste empolgante, considerando também que Fritz Lang não manja muito do gênero. Enfim, foi uma oportunidade dele trabalhar com o grande diretor alemão. E um de seus poucos filmes coloridos!


Sol de Outono (H.M. Pulham Esq., dir. King Vidor, 1941) talvez seja a melhor performance de Robert Young no cinema. Enfim após dezenas de comédias românticas leves (nada contra elas, adoro) Bob teve a chance de interpretar um papel dramático e denso. No filme ele interpreta um empresário de meia-idade frustrado com a sua vida convencional, tanto no trabalho como dentro de um casamento desgastado. Ao longo do filme Harry Pulham relembra sua juventude, em especial uma mulher que marcou sua vida e o fez "sair da caixa": Marvin Myles, vivida pela diva inventora Hedy Lamarr, também brilhando num raro papel dramático e profundo. Hedy também sofria dentro da MGM; mesmo sendo uma estrela A+ ela era só vista como bonita e glamorosa (e para muitos "sem talento"), e estava sempre sendo escalada para os mesmos tipos de papel de mulher fatal. Foi um bálsamo para os dois atores e mais ainda para o público amante de bom cinema. Eu super recomendo esse filme!

Com Hedy Lamarr em cena, 1941 

O melhor filme de Robert e Hedy na minha opinião

O diretor King Vidor disse sobre o seu filme, baseado em obra homônima de John P. Marquand:

"O livro é escrito na primeira pessoa. Tudo foi contado do ponto de vista de Harry Pulham. Isso é responsável por grande parte da profunda psicologia humana do romance. Aqui tinha um desafio. Um filme poderia ser contado completamente na primeira pessoa? Isso significaria que nada poderia acontecer em todo o quadro a menos que fosse visto, testemunhado ou experimentado por Pulham. Resolvemos experimentar. O resultado é que na película não acontece nada que não seja vivenciado por Pulham."


"Então Robert Young está em cada cena do filme ou está no cenário quando cada cena acontece. No caso de conversas telefônicas, ninguém é mostrado do outro lado da linha. Só ouvimos o que Pulham ouve. Nós não vemos a outra pessoa em nenhum momento, pois isso seria deixar o público ver algo que Harry Pulham não viu."


Journey for Margaret (traduzido como Sublime Alvorada, de 1942) tornou Margaret O'Brien uma estrela mirim nos anos 1940. Foi também o último filme do prolífico diretor W. S. Van Dyke, que estava morrendo de câncer e terminou por cometer suicídio pouco depois do lançamento do filme. 

Na história, Young e Laraine Day interpretam um casal que vive em plena Europa sitiada pela Segunda Guerra Mundial. Ela perde o filho que esperava durante um bombardeio; para piorar, ela não pode mais ter filhos depois do ocorrido. Destroçados pela tragédia pessoal, a nova esperança de felicidade para a vida do casal é uma pequena garota chamada Margaret, órfã dos pais depois de um ataque de guerra. Ela é adotada pelos dois, e o amor que sentem os torna fortes para seguir adiante e sem medo durante os tempos sombrios de guerra.  

Margaret O'Brien em cena com Bob, no filme que fez um estrondoso sucesso em 1942. Seu nome na verdade era Angela, mas ficou tão envolvida com a personagem que mudou seu nome artístico para Margaret


Bob e Margaret fizeram juntos mais um filme: O Fantasma de Canterville, baseado em conto de Oscar Wilde. 
Jules Dassin, por pressão do ator Charles Laughton (foto, direita), dirigiu o filme em 1944. Foi o último filme de Young sob contrato na MGM. Desgostoso com o descaso do estúdio, quando o contrato expirou ele optou por não renovar, preferindo continuar a atuar como freelancer 

Numa breve passagem pela Fox, Bob contracenou com a musa dos musicais dos anos 40: Betty Grable, dona das pernas de um milhão de dólares e a pin up de toda uma era. Bob ainda arriscou cantar em algumas cenas do filme também


The Enchanted Cottage de 1945, baseado em peça de Arthur Wing Pinero, era o preferido pessoal de Bob. Traduzido como Seu Milagre de Amor, o longa é uma história de amor fantástico: um veterano de guerra ficou deformado e deficiente pelo resto da vida, e por conta disso se torna recluso e amargurado; fugindo de sua família insensível e de sua noiva que agora o rejeita, ele vai buscar abrigo em uma casa de campo isolada, mas nem contava se apaixonar por uma jovem solitária considerada feia e sem graça por todos. Enfim, os dois se casam mas de início temem estar juntos apenas por pena um do outro, até que o "encanto" se revela entre eles: eles se enxergam, um ao outro, como bonitos e radiantes, sem os defeitos físicos que os atormentam. Só os dois (e o público) conseguem ver a "transformação". O amor que sentem os faz se enxergarem perfeitos e livres de suas imperfeições exteriores - eles se veem como realmente são no interior de suas almas.

Em cena com a adorável e subestimada Dorothy McGuire - dois solitários rejeitados pelo mundo se encontram e se apaixonam


"O papel simbolizava a minha própria vida, embora eu não fosse um veterano que volta da guerra tragicamente desfigurado. Demonstrou minha teoria de que todos somos, de alguma forma, deficientes. A timidez e o medo das pessoas eram minhas cicatrizes invisíveis. Estes foram finalmente superados, assim como no filme, por causa do amor de uma mulher que viu o 'homem perfeito' através de todas as imperfeições."

Os amantes "transformados" pelo suposto encanto de amor da casa de campo, um refúgio histórico de felizes recém-casados (vide as inscrições na janela). A parceria com a atriz Dorothy McGuire deu muito certo: eles fizeram mais dois filmes juntos além desse - Claudia (1943) e sua continuação Claudia and David (1946)

Em entrevista para o crítico de cinema e historiador Leonard Maltin em 1986, Robert disse que o filme é "a melhor história de amor já escrita. [Foi] um daqueles filmes que eu odiei ver terminar. Eu queria que continuasse e continuasse. Foi uma alegria faze-lo.". O ator cogitou participar de um remake nos anos 80, mas ao rever o filme com Dorothy McGuire, a atriz disse que preferia não fazer o novo filme pois achava que a história pertencia a outro tempo e uma nova adaptação não tinha sentido. 

Ele era tão fascinado pela história que batizou a sua casa em Westlake Village de "The Enchanted Cottage" - foto recente da propriedade (cortesia de findadeath.com)


Crossfire (Rancor, dir. Edward Dmytryk, 1947) foi um excelente noir, ousado e de tema forte: o antissemitismo (apesar de circular o fato de terem escolhido antissemitismo no lugar de homofobia dentro do roteiro) . Young interpreta o papel principal do detetive no filme.

Um outro noir interessante e diferente no qual ele viveu um papel dúbio foi They Won't Believe Me (dir. Irving Pichel, 1947) ao lado de Susan Hayward

Durante sua carreira no cinema, fazendo um balanço, Robert teve a chance de trabalhar com ótimos diretores, como Alfred Hitchcock, Fritz Lang, Frank Borzage, Victor Fleming, Robert Z. Leonard, Mervyn LeRoy, Howard Hawks, Henry King, Wesley Ruggles, King Vidor, Tod  Browning e (ufa) Jules Dassin! Nada mal, hein?


Nos anos 50, já desfrutando do sucesso de Father Knows Best na televisão



Seu problema com depressão começou em 1946, perto do fim de sua carreira no cinema. Não bastassem suas frustrações como artista dentro de um sistema castrador e artificial, Young vivia preocupado em continuar ativo para manter a sua casa e família (uma esposa e quatro filhas), a tal ponto que ele pensava estar sempre perto da falência ou de perder o contrato. Talvez por uma mistura de paranoia, realização (e insatisfação) pessoal e senso de dever, ele se manteve workaholic pela vida inteira, vindo a se aposentar com mais de 80 anos de idade e só porque já não tinha condições físicas para trabalhar.



Já os anos 50 foram bem regulares para ele no cinema. Seu último filme foi Secret of the Incas em 1954, considerado inspiração para o primeiro filme de Indiana Jones: Os Caçadores da Arca Perdida, de 1981.

O Segredo dos Incas, dirigido por Jerry Hopper e com Charlton Heston 
(de Ben-Hur) como estrela. Foi o último filme de Bob no cinema. Apesar da inspiração e cenas externas em locação real no Peru, o filme foi bem mediano

Fora da MGM e com poucas ofertas interessantes nas telas, Bob seguiu o timing perfeito e foi trabalhar no rádio em 1949, emplacando o programa de sucesso Father Knows Best. Anos depois, em 1954, o programa foi adaptado para a televisão. Basicamente a série retrata uma família típica de classe média comandada por Jim Anderson, um corretor de seguros que é o tipo de pai ideal, sempre disposto a ajudar a sua família com um sorriso no rosto e um bom conselho. Teve um ligeiro flop no início, mas após ajustes de horário e mudança de emissora conquistou o público e se tornou um grande sucesso durante a década de 1950. O programa hoje pode soar um tanto ultrapassado e careta por representar uma família tipicamente tradicional de classe média, mas de qualquer forma o talento do elenco e do texto são cativantes e marcou muito aqueles "anos dourados" do pós-guerra americano. 

Com o elenco da série: Lauren Chapin, Elinor Donahue, Jane Wyatt e Billy Gray


E agora os refrescos, ou melhor, os Emmy Awards! Young venceu o prêmio em 1957 e 1958 por Melhor Performance Contínua de um Ator em Série de Comédia/Drama

Com a atriz Loretta Young, outra vencedora do Emmy pelo seu programa de TV bem-sucedido. Assim como Robert, a atriz abandonou as telonas e focou só na telinha. Apesar do mesmo sobrenome, eles eram só amigos e sem nenhum parentesco - os dois contracenaram uma vez em The House of Rothschild, em 1934


De acordo com sua colega de elenco em Father Knows Best, Jane Wyatt: “embora nunca tenhamos socializado fora do set, estávamos juntos todos os dias por seis anos e durante esse tempo ele [Robert] nunca se impôs como "a estrela" e sempre tratou sua família na tela com o mesmo carinho e cortesia que ele mostrou aos seus entes queridos em sua vida privada”. Jane Wyatt ainda disse em entrevista que acreditava que o programa conquistava o público porque a família da série passava autenticidade. Mesmo que os diálogos soem pueris, piegas e as situações muito "white people problems", Wyatt disse que cada ator do elenco tinha a sua personalidade própria, todos com perfis distintos, mas em conjunto eles convenceram como uma família real justamente por se complementarem entre si. 


Jim Anderson virou um símbolo do "pai perfeito" que todos queriam ter. Isso foi a glória e a relativa infelicidade de Robert Young: ele venceu dois Emmys durante a exibição do show e conquistou a maior consagração de sua carreira; por outro lado, ele agora se via novamente colocado dentro de uma caixinha, sendo visto como o sujeito alegre e sensato com o qual todos poderiam contar, um retrato completamente diferente do homem inibido, imperfeito e pessoalmente atormentado dos bastidores. Extremamente sensível por trás da aparência calma e equilibrada que passava aos outros (Peixes com ascendente em Libra e lua em Câncer), Bob sentia-se culpado e infeliz por passar para o grande público uma imagem de alguém  que não era. À parte do fato óbvio de ser um ator e ser seu ofício representar, a comparação entre si mesmo e seus personagens quadradinhos o deixava infeliz, com a amarga sensação de ser um grande impostor. 


Papai Sabe Tudo foi cancelada em 1960, fechando com seis temporadas e um total de 203 episódios. Bob estava cansado do personagem, mas não seria fácil se desligar da imagem do Papai Sabe Tudo. Robert tentou emplacar em 1961 uma série nova chamada Window on Main Street, no estilo leve e engraçadinho de Father Knows Best mas com tons mais sérios e fora do eixo família. Seus esforços na produção do show não foram suficientes para torná-lo um sucesso. A série foi cancelada após 17 episódios. Uma experiência frustrante para o ator. 


Perguntado por que ele continuou na televisão nos anos 1960, e não voltou para o cinema, o ator respondeu:

"Os filmes já estavam se transformando no que são hoje quando me tornei "disponível" em 1962. O tipo de papel para o qual eu supostamente era mais adequado - comédia romântica leve - não existia. Não havia lugar para mim. Longas-metragens, pode-se dizer, já estavam além de mim."


Por trás da persona de homem firme, positivo e sorridente, Robert com frequência sofria fortes dores de cabeça (possível reflexo de suas frustrações pessoais e excesso de trabalho), e então ele recorria ao álcool e afundava na depressão. Testemunhas em Beverly Hills daqueles tempos admitem já ter visto Robert dirigindo embriagado a ponto de invadir a calçada e dormir no volante. Para piorar, a sua esposa Betty também era depressiva e tinha problemas com bebida, o que nos faz pensar que ambos viviam na fossa juntos ou tentando apoiar um ao outro.



Sem um show fixo no meio dos anos 60, ele ainda fez participações especiais na televisão e saiu em turnê com uma peça de sucesso no teatro chamada Generation em 1966 quando então sofreu um breakdown tão sério que o deixou quase quatro anos sem atuar, se recuperando psicologicamente em um rancho na área de Rancho Santa Fe, perto de San Diego, CA. Ele procurou ajuda médica para tentar se livrar da depressão, do alcoolismo e das enxaquecas. Com o tempo Young passou a frequentar encontros dos Alcoólicos Anônimos, chegando até mesmo a sediar os encontros na sua própria casa. 


“As pessoas podem dizer que você tem tudo para viver, sem perceber que a pessoa está muito ciente disso. Dizer isso só torna a dor mais aguda porque a pessoa percebe a loucura da sua situação. É como dizer a um psicótico: 'Por que você está gritando?' Você não sabe o que ele está vendo."


Uma carta daquele ano de 1966 escrita por Bob agradecendo pelo apoio e carinho que recebeu após o seu colapso nervoso


Em 1969, após um período sabático, Robert Young já se sentia melhor e pronto para trabalhar, não pela obrigação nem necessidade (Father Knows Best já tinha o tornado milionário), mas simplesmente pelo prazer de atuar. De 1969 até 1976 Bob assumiu o seu segundo papel mais famoso da TV: o doutor Marcus Welby na série Marcus Welby M.D.. Pelo show, Bob ganhou mais um Emmy e também um Globo de Ouro! 

Ele nunca foi sequer indicado ao Oscar, mas venceu o Emmy, Globo de Ouro, National Board of Review e até mesmo um BAFTA em 1979 por dirigir um curta educativo 


Novamente Young vivia um personagem admirável que o público via como um herói gente como a gente. Hoje a série seria completamente problematizada porque o médico era politicamente incorreto e tomava atitudes impróprias para um médico, como se envolver com a vida particular dos pacientes, ser a favor de crianças apanharem ou demonstrar gordofobia com uma paciente acima do peso. Também houve dois episódios controversos da série que trataram de homossexualidade de forma, digamos, não muito feliz, de tal forma que a comunidade gay da época promoveu protestos e boicotes ao show. Enfim, levando em conta a época em que foi produzido, o programa teve seus méritos por abordar temas polêmicos e sérios: vício em drogas, doenças sexuais, estupro, depressão, impotência, Alzheimer, câncer de mama, homossexualidade (mesmo com os erros de condução), etc. 

A relação com o co-star James Brolin foi de altos e baixos. Young foi mentor profissional de Brolin, mas o jovem ator ressentia o fato dele não ser a estrela da série. Anos depois, quando James se casou com Barbra Streisand, o casal não enviou um convite para Bob, que ficou extremamente triste em ser excluído da festa.

Por anos Bob fez comerciais do café descafeinado Sanka

Com o fim da série médica e já com idade avançada, o ator se manteve fazendo comerciais e pequenos papéis eventuais na TV. Ele ainda reviveu seus personagens emblemáticos - o pai família Jim e o médico Marcus - em telefilmes estilo "reunion". Fora isso, nos anos 80 Robert participou de dois filmes: A Conspiracy of Love (no qual viveu o avô de Drew Barrymore) e Mercy or Murder?, ambos em 1987. No ano seguinte, encerrou sua carreira num filme reunião de Marcus Welby M.D.. 

Com Drew Barrymore no filme made-for-TV A Conspiracy of Love (1987). Curiosamente Bob e Drew fazem aniversário no mesmo dia: 22 de fevereiro

Em Mercy or Murder?, ele viveu o presidiário da vida real Roswell Gilbert, acusado de matar a sua esposa doente com dois tiros. Ele assume a culpa do ato, mas alega te-lo feito para livrar a mulher de seu sofrimento por conta do Alzheimer e artrite. O filme é um tanto unilateral mas muito corajoso por tratar desse tema de forma tão forte e real.



“Papéis como esse não aparecem com tanta frequência, então, quando aconteceu, eu agarrei com tudo”, Bob disse depois. “É estimulante desempenhar um papel que certamente causará controvérsia". O filme já passou no Supercine da Globo há décadas, mas hoje causaria tanta polêmica quanto em 87. Um filme de TV feito anteriormente em 1983 com Bette Davis e James Stewart, Right of Way (O Direito de Morrer), tratou do tema de forma parecida: um casal de idosos que combina um pacto de suicídio. 



É claro que o interesse de Robert Young não era só no bom papel, mas no tema em si. Com certeza ele se identificava, ao menos em partes, com a ideia de acabar com o sofrimento em vida - ele mesmo e sua esposa sofriam há décadas com depressão e alcoolismo, e além disso ele já começava a dar sinais de saúde em declínio com problemas de coração e princípios de Alzheimer, mesma doença da esposa morta no seu filme para a TV.

Então em 12 de janeiro de 1991, alcoolizado e no ápice da sua angústia pessoal, Robert Young tentou o suicídio em sua casa. Previamente, ele havia proposto um pacto de suicídio com a sua esposa, que não levou a sério porque pensava ser uma brincadeira de Bob. Não era. Ele pretendia tirar a vida dentro de seu carro fechado, com uma mangueira ligada ao escapamento do veículo que iria enche-lo de gás. Felizmente, homens de uma empresa de reboque viram o que Bob ia fazer e o impediram de prosseguir. Ele foi prontamente levado para um hospital psiquiátrico. Enquanto isso, sua esposa Betty estava quase à beira da morte em casa, resultado de uma overdose alcóolica. Foi o pior momento da vida da família. 

Com sua esposa Betty já nos últimos anos


Depois de tanto sofrimento pessoal, Robert veio a público falar de seus problemas e encontrou paz interior. Ele e a esposa juntos lutaram e conseguiram dar a volta por cima fisicamente e psicologicamente. Com o apoio de Betty, Bob buscou ajuda na ciência da mente (metafísica espiritual) e nos Alcóolicos Anônimos. 

Papai aprendeu com isso”, disse Carol Proffitt, a filha mais velha de Bob. “Ele apreciou mais a vida e sabia o quanto sua família era importantePapai percebeu que muito poderia ser aprendido por ser aberto e mostrar que você pode superar essas coisas. Mas é preciso ajuda e você não deve ter medo de ter a ajuda de que precisa. Depois disso, as coisas melhoraram. Mas chegar lá não foi fácil".


Os últimos anos de vida do ator foram agridoces. Ele estava enfim mais em paz consigo mesmo, mas em 1994 sua esposa Betty faleceu, após mais de 60 anos de união. Robert, como esperado, ficou sem chão. Sua saúde foi piorando cada vez mais, ao ponto de precisar de cuidados de enfermeiras, ficando boa parte do tempo de cama. Ele ainda saía às vezes, e particularmente adorava ser reconhecido e cercado de fãs, mesmo já muito idoso, pois um de seus maiores medos era morrer no esquecimento. Bob ficava muito feliz com o reconhecimento do público, sempre solícito e dando autógrafos. 

Em 1997 quando fez 90 anos, seus colegas de elenco de Papai Sabe Tudo compareceram à sua festa de aniversário.

Nos anos 90, já por volta dos 90 anos. Certamente uma de suas últimas fotos

Robert Young faleceu aos 91 anos  no dia 21 de julho de 1998 em sua casa The Enchanted Cottage, por insuficiência respiratória. O funeral foi discreto e reservado, lá foram alguns amigos como Roddy McDowall e Jane Wyatt. No epitáfio do seu túmulo: "Dedicado marido, pai e avô".


O Robert Young Community Mental Health Center em Illinois (estado natal de Bob) leva o seu nome pelo trabalho do ator em prol da causa da saúde mental. Bob falava abertamente e sem filtros sobre os seus problemas com depressão e alcoolismo. Para nossa surpresa e tristeza, as avaliações do centro médico no Google são no geral péssimas e com comentários deprimentes sobre pacientes maltratados e profissionais rudes e sem empatia. Isso com certeza deixaria Bob muito triste...

O Centro Médico Robert Young atualmente por fora


“Algumas pessoas não o entendiam. Mas papai era uma pessoa muito atenciosa e carinhosa.” (Carol, filha de Robert)

Em retrospecto, a vida de Robert Young foi agridoce, porém ele teve força e resiliência para superar os seus problemas e seguir adiante, nunca esquecendo de dar amor aos seus entes queridos e fazendo o seu melhor trabalho na frente das câmeras. Entre as causas e instituições de caridade que ajudou, estão a March of Dimes, Conselho Nacional de Segurança, Campanha do Selo de Natal da Associação de Tuberculose, Cidade da Esperança e Goodwill Industries (entre outras).


Sua carreira também foi de altos e baixos; ainda assim, ele engoliu a própria timidez e nunca deixou de atuar, até que tardiamente o sucesso e reconhecimento chegaram para ele. Pode não ter tido o destaque máximo no sistema de estúdios de cinema, mas teve a chance de ser versátil e trabalhar com atores e diretores de talento e renome, que faziam questão de trabalhar com ele porque seu charme romântico e timing cômico eram realmente inquestionáveis. Sua filmografia é até mais interessante do que a de muitas estrelas mais reconhecidas da mesma época. 



No fim das contas, mesmo cansado de fazer o personagem ideal, era conveniente para ele dar vida e emular aquele tipo, afinal todos queriam ser ou ter alguém como o "papai sabe tudo" ou o médico inspirador. Ele mesmo gostaria de ser daquele jeito, assim como Cary Grant dizia que todos queriam ser Cary Grant, incluindo o próprio. Mais para o fim da vida, acho que Bob fez as pazes com a sua persona ficcional e parou de se culpar e de se exigir tanto, dando mais valor aos seus entes queridos e a tudo o que conquistou em vida.



Concluindo, espero que esse artigo simples ajude a manter o legado de Robert Young vivo na memória do público, e que em português mais pessoas possam conhecer mais da sua obra e talvez se identificar com a sua luta pela saúde mental. 

Obrigado por ler e até a próxima,

Pedro Dantas
Março 2022


BIBLIOGRAFIA

EAMES, John Douglas (1986). The MGM Story. New York City: Crown Publishers

PARISH, James Robert (1977). The MGM Stock Company. New York City: Bonanza Books, division of Crown Publishers, Inc.

PARISH, James Robert (1980). The Hollywood Reliables. Westport, Conn., Arlington House [First edition]

Os sites Imdb, TCM, Hometowns to Hollywood, Findadeath.com e os arquivos do Los Angeles Times me ajudaram durante a minha pesquisa. Infelizmente ainda não há nenhuma biografia sobre a vida e obra do Robert Young, mas espero que num futuro próximo se materialize porque ele merece. Senão, quem sabe um dia eu mesmo a escrevo... :-)

Carole Lombard: Diva da Comédia Screwball e Grande Amor de Clark Gable (Biografia e Cinema)

A atriz  norte-americana  Carole Lombard nos deixou muito cedo em 16 de janeiro de 1942, com apenas 33 anos de idade. Ela, sua mãe e mais 20...